Peixes, um signo dual, da triplicidade da água e o
último do Zodíaco, fala das artes, do mistério, da iniciação e do
subconsciente.
No final do signo de Peixes o Sol ingressa em Áries,
o equinócio da primavera no hemisfério norte, correspondendo ao
renascimento após a longa noite do inverno e ao início do Ano Novo
Solar. Peixes encerra um ciclo, simbolicamente indica um rito de
passagem.
A mudança para uma nova esfera de experiência onde
é necessário desfazer-se do "excesso de bagagem" para
ficar somente com o essencial e no caso de Peixes o "essencial é
invisível aos olhos" .
Desfazer-se diz respeito ao ego. Mas para desfazer-se
do ego é preciso ter sido. Somente tendo sido tudo se
pode ser nada. O último signo, de certa forma, acumula a experiência
de todos os outros, assim Peixes reflete a personalidade dos outros
onze signos. Ele é a soma de todos, e ao mesmo tempo não é parecido
com nenhum.
O símbolo do signo, os dois peixes, Atarcate e
Ichthys, que tentam nadar em direções opostas apesar de presos por
um cordão de ouro, propõe a mais característica das questões
piscianas a dualidade
É na dualidade que residem as dificuldades do signo,
no símbolo um peixe afunda no lodo e o outro sobe para as alturas o
dilema pisciano da luta entre o individual e o cósmico.
Em Peixes, espiritualização, devoção,
inspiração, percepção, caridade, compaixão, empatia, convivem com
o martírio, ilusão, devaneio, irrealismo, auto piedade, depressão,
parasitismo, masoquismo e vitimização.
Um lado de Peixes está no mundo da imaginação, das
percepções e da criatividade. O outro lado de Peixes está no mundo
real. Êle não pode estar apenas em um desses mundos, se isso
acontece, se desequilibra.
Essa coexistência entre sonho e realidade, faz com
que muitos piscianos demorem muito para se encontrar, e muitos não
conseguem. Esse é o signo da iluminação, da doação ao próximo,
mas também é o signo da confusão e da energia desperdiçada.
A vida psíquica de um pisciano é ativa e dinâmica.
Peixes tem a chave para o reino dos sonhos e de tudo o que a
psicologia denomina como inconsciente. O problema é quando fica
difícil sair de lá.
A libertação dos limites espaço-temporais e o
flutuar no mundo da fantasia e dos sonhos, podem ser obtidos através
de diferentes meios. O álcool, as drogas e tudo o mais que leva a um
campo transcendente, ao inconsciente e também à insanidade chamada
vício.
Em Peixes está representado todo o sofrimento do
homem, seus anseios, sonhos, sua impotência diante do universo, suas
desilusões, seu anseio por amor e por uma conexão com o divino. O
pisciano sofre e quando isso é demais para ele, pode recorrer à
fuga. E neste caso a fuga pode ser fingir que tudo está bem,
procrastinar a solução indefinidamente, ou usar algum anestésico,
de bebedeiras e festas ao sono excessivo.
Regido por Netuno, deus dos oceanos e das profundezas
submarinas, esse signo está em conexão com um mundo sem fronteiras,
onde a movimentação é um continuar sem barreiras. Na água, tudo é
visto multiplicado, nada é simples e claro. Assim, o pisciano não
só se mistura a tudo, como percebe qualquer pensamento ou ação como
tendo milhares de associações que vibram ao infinito. Nada é
simplesmente preto ou branco.
Peixes parece possuir uma estranha empatia com todo
tipo de ser humano e é profundamente sensível às correntes
invisíveis, o que leva às capacidades curativas piscianas,
extremamente benéficas para todos os que dele se aproximam.
Mas dada à ambivalência pisciana, o fato de
dedicar-se aos outros e de viver a vida deles pode gerar
ressentimentos e auto destruição. O pisciano tanto é capaz de ser
suave e desprendido, mas também pode ter um grande rancor dentro de
si pelos sacrifícios que faz.
A sensibilidade ao invisível dá ao pisciano a
tendência de captar e absorver todas as dimensões não-físicas à
sua volta. Ele sempre está como o ambiente está, tem dificuldade em
separar o seu "eu" do ambiente. Ele é a verdadeira
"esponja" do Zodíaco
À semelhança de um corpo no oceano, é fácil para
Peixes abandonar-se ao fluxo. As indefinições piscianas, assim como
sua aparente ausência de contornos precisos, são fruto desse
deixar-se levar pelas correntes a vida. Não entende como discriminar,
como limitar ou como escolher.
Quando um dilema requer uma decisão e ação rápida
o pisciano entra em colapso, decidir significa escolher uma coisa em
detrimento de outra, quando para ele todas são válidas e todas
contêm uma verdade. Tudo é relativo
Peixes rege as artes, a inspiração através do canal
intuitivo e da percepção do invisível. A expressão artística pela
poesia, música e pintura, através do teatro e do cinema. Peixes é o
camaleão do zodíaco, é um ator nato. Sua imaginação ilimitada
traduz-se na capacidade de transformar a fantasia em realidade,
através da criatividade.
Esse ser disperso, difuso e sonhador é também um
romântico, mas um romântico diferente. Romance para ele significa
tudo sua casa, seus móveis, seu carro, em sua imaginação ele vive
num castelo, num cenário de um filme. O pisciano precisa de um pouco
de teatro em sua vida, mesmo que ele mesmo se encarregue de
providenciá-lo, às vezes com um estilo bastante melodramático.
No oposto a Peixes está Virgem, um eixo onde um é a
sombra do outro. Então, é comum encontrar piscianos
organizadíssimos, trabalhando com administração de empresas,
impecavelmente arrumados, limpos e perfumados. Na maioria das vezes
esta é a forma de tentarem organizar seu caos interior e de
apaziguarem a sensação de estarem errados por serem dispersivos e
sonhadores; uma forma de serem aceitos num mundo de valores materialistas
como é o nosso.