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ÁRIES
- "A resignação
é um suicídio cotidiano"
- (Honoré de Balzac)
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Meu vôo é
cego. Pilotado pelo poder da minha vontade. Este é o meu milagre, e
sou uma testemunha arrebatada: eu acredito. Veementemente, alegremente,
obstinadamente, cegamente, eu creio. E por minha crença, sou capaz de
matar e morrer. Nasci empunhando uma espada e só me sinto
confortável quando aspiro o cheiro dos louros da vitória, embora
não me prenda a eles. Não sou de saborear. Minha avidez me compele a
engolir. Sou viciado no calor da batalha e só me sinto vivo quando
vislumbro um desafio. Minha testa é dura, minha armadura é brilhante
e minha gargalhada arrefece os sustos da mesma forma que a primavera
vem derreter o gelo e tranformar os cinzentos do inverno com o
verde-esperança dos brotos na terra, que sinalizam um novo começo.
Cheguei! Sou eu, o Áries!
- por Graciela
Selaimen
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- Um carneiro
imponente pode se desmanchar em jovialidade, ameaçar com seus chifres
e logo em seguida chorar de arrependimento ou desilusão com uma
rapidez
surpreendente.
Essa gente é capaz de causar estragos com sua destemperança, mas,
pasmem quase nunca é por mal. São valentões, isso é fato, mas por
trás de toda valentia jaz uma inocência quase infantil, que nos
impele a perdoar mais cedo do que imaginamos os estouros barulhentos,
os comentários impensados (e, muitas vezes, incongruentes) e as
atitudes irrefletidas do Carneiro que compra uma briga por um nadinha
assim...
Para o Áries, não
existe pasmaceira. Existe ação, desejo, querer. Essa capacidade de
movimento, de criação, de dar início aos processos é extremamente
sedutora. O Áries parece poder tudo. E crê tão veementemente, que
é quase impossível não aderir às suas causas, não compartilhar
dos seus sonhos, não compactuar com os seus ideais.
Mas nem sempre se
sai ileso das campanhas arietinas. Mal piscamos, e aquele defensor de
ideais sumiu! Se olharmos em volta, perceberemos que o Carneiro comeu
um pedaço da cerca e está empunhando a espada em um outro campo de
batalhas, correndo atrás de outro objetivo ou defendendo outro
inocente. Ele já está começando tudo de novo...em outra
vizinhança. Finalizar, consolidar, manter? Não são esses os
talentos do Áries. Nem sua ambição.
Sem essa força,
não existe o impulso para a vida. Afinal, é o desejo, o poder da
vontade que move o mundo. A mesma energia que pode ser sanguinolenta,
destrutiva, irascível e atroz também é aquela que nos faz
eternamente jovens, cada vez que surge em nós em qualquer momento de
nossas vidas o anseio pela conquista, pelos reinícios, pelo novo
ciclo, a entrega despudorada ao desafio da renovação. Não somos
capazes de riscar um palito de fósforos para acender a fogueira de
nossos sonhos sem a energia marciana do Carneiro. Sem essa força não
se faz a luz. Mas sem medida, reflexão e humanidade o Áries pode se
transformar numa fera impiedosa, egoísta e caprichosa que deixa pra
trás, pairando no ar, o que há de mais valioso projetos, causas,
pessoas. Ou então, de maneira descuidada, arder demais e transformar
tudo em cinzas.
Ali ele está, onde
empreendemos novos começos, onde abraçamos novas idéias, onde
desembainhamos nossa espada para defender o que nos é caro.
Encontramos o Carneiro altivo toda vez que nos empenhamos em abrir
caminhos. O Áries nos empresta seus chifres para que sejamos capazes
de nos arrojar contra as portas que nos fecham. Encarnamos o Carneiro
jovial quando nos encantamos com o despertar, quando temos fome de
relva fresca, quando nos entregamos aos encantos da primavera e
brincamos com a vida renovada. Entretanto, também encontramos o
Áries incinerando possibilidades com a pretensão dos que se iludem
com vitórias efêmeras e caem na asneira de pensar que sabem tudo
para si e para os outros.
Onde está o seu
Áries agora? Sucumbindo ao querer egoísta ou celebrando a vida e
reconstruindo o mundo com a força do seu desejo? Sacuda a cabeça,
dê um brilho nos chifres, e olhe seu carneiro bem nos olhos. O ciclo
sempre recomeça. Bem-vindo ao mundo. Feliz Ano-Novo*.
Graciela
Selaimen
*O Zodíaco
utilizado na astrologia ocidental é determinado pelo equinócio, que
se dá quando o Sol ingressa em Áries e por isto é considerado o Ano
Novo Astrológico.
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