- Os alunos dos cursos
de Astrologia costumam levantar dúvidas muito interessantes cuja
resposta pode esclarecer quem percebe certas lacunas no
conhecimento. O texto a seguir fala da conceituação de Libra
como um "signo cármico", entre outros. Antes, porém é
preciso explicar que seu enfoque não tem a pretenção de revelar
quem foi o quê numa vida passada, mas de levantar, sim, índoles
subconscientes, sejam elas oriundas dos antepassados (genética),
sejam vivências como as das terapias de vidas passadas (TVP).
Dentro deste contexto, é possível alterar consideravelmente padrões
repetitivos e nocivos de comportamento e compreender as circunstâncias
que envolvem a existência individual. Vamos, pois, ao texto.
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- Câncer, Virgem,
Libra, Escorpião e Peixes.
- Signos Cármicos
por quê?
Câncer não é considerado um signo "desafortunado" ou
que tenha que enfrentar conflitos como Libra, pelos padrões clássicos.
Câncer abre o verão, no hemisfério norte e este simbolismo
remete à função vida, à alimentação, à posse
(secundariamente a Touro) e à manutenção da ancestralidade, que
é completada em Leão, na proliferação da vida pela descendência.
- Libra abre o outono
no hemisfério norte, o que é um símbolo de declínio da vida,
de um abrir mão da própria identidade em prol da atuação
social. Libra com a regência de Vênus e com a exaltação de
Saturno, une em si dois princípios conflitantes: o princípio do
prazer e o princípio de realidade, semelhantemente aos modelos
freudianos. É a necessidade de adequar o desejo de autogratificação
aos padrões impostos pela sociedade, isto é, àquilo que já
existe antes do indivíduo. Note que o "já existe", se
refere a uma estrutura já estabelecida reguladora das atitudes
individuais. Aquilo que é preexistente pode ser considerado um
processo cármico, mas não é só por isso que Libra é
conceituado desta forma. O próprio conceito de carma está implícito
no simbolismo do signo: a balança. A lei do carma é uma lei de
equilíbrio de extremos, extremos estes que podemos encontrar no
mapa na forma de Virgem, de Escorpião, de Áries ou mesmo dos
seis conjuntos opostos que formam os eixos dos signos (ex.: Gêmeos-Sagitário;
Touro-Escorpião etc). O chamado "caminho do meio", do
Buda, é uma das formas de atingir o nirvana, isto é, a não-necessidade
de reentrada na roda de experiências carnais. É o caminho do
equilíbrio, não negando a existência de nada, mas considerando
com profundidade os opostos e encontrando um meio-termo. Mais
ainda: Libra é considerado cármico por estar ligado aos
relacionamentos. É através deles, seja o de marido-esposa, seja
o de inimigos, seja o de sócios, de clientes, de oponentes etc,
que vivenciamos com maior ênfase nossas facetas "sub" e
"in" conscientes. Estamos todo o tempo nos confrontando
conosco mesmos, inclusive quando não conseguimos perceber aquele
atributo que detestamos no outro em nós. É o clássico diálogo:
- O que devo fazer para chegar ao Reino dos Céus, mestre?
- Ama a teu próximo como a ti mesmo.
O próximo é o si mesmo. É nossa sombra, sem a qual não somos
completos e se não somos completos somos parciais. Se somos
parciais, não temos percepção abrangente. Se não temos essa
percepção, provocamos desequilíbrios cada vez maiores, o que
nos enreda na teia intrincada de processos cármicos que culmina
nos acontecimentos que nos forçam a reencontrar os mesmos padrões
que geraram o distúrbio. Isso acontece até que possamos não só
compreender como se dá o processo, mas que possamos nos fundir (e
isso é função de Escorpião, o signo seguinte) com o outro,
isto é, partilharmos a intimidade ou sabermos que o inimigo
externo é produzido por nós mesmos. Quanto mais profunda for a
causa, menos controle teremos sobre essas oposições, mas quanto
mais conscientes da lei de equilíbrio (carma), melhor poderemos
lidar com elas, mesmo sujeitos às dores e perdas que não podemos
evitar em nossa condição de seres limitados.
Libra é isso. É o símbolo do esforço para amortecer o
movimento pendular dos ritmos a que nós, como seres sub-lunares
estamos sujeitos. Interessante notar que no Tarô, a carta da
Justiça, que representa o carma, é representada pelo signo de
Libra. Na Árvore da Vida, no modelo da Golden Dawn, o passo da
Justiça une Gevurah (Marte) a Hesed (Júpiter), ambos
representantes simbólicos dos extremos da árvore: rigor/justiça
e misericórdia/permissividade. O carma do ser humano é ser
justo, ser um tzedek, um ser que passa "pelo buraco de uma
agulha" ou por "um lugar estreito", porque não
oscila pra lá e pra cá. Não oscila porque está consciente e
torna-se humilde ao encolher-se, ao tornar-se germen, como mostram
os símbolos contidos no ato de ajoelharmo-nos, nas contrações
da mãe etc. O movimento de oscilação tem uma causa e ele é o
efeito. Quanto maior tiver sido a potência que originou o
movimento, maior será o esforço para amortecê-lo, assim como
maior será o extremo oposto que ele vai evidenciar. Basta
observar o movimento de um pêndulo e temos um bom exemplo.
Câncer entra na linha de pensamento cármico através do elemento
Água, mas como o símbolo da ancestralidade, da marca genética,
dos hábitos familiares e raciais. O culto ao passado histórico,
das linhagens e da cultura fazem parte deste simbolismo. As
reminiscências do símbolo de Câncer são genéticas. As do símbolo
de Escorpião são de vida após a morte e as de Peixes são uma
união dos dois processos anteriores. Eles se fundem na totalidade
que o útero representa, no estado de suspensão e bem-aventurança
do qual a espécie humana tem "saudade" e ao qual tem
necessidade de retornar. Peixes é o símbolo do retorno, do
resgate, do salvamento, da remissão (o redentor). A remissão é
a busca da totalidade perdida.