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Mas
que “karma”! Quantas vezes nos falamos essa frase e ela se
transforma em uma sentença de morte? Nesse sentido o karma é a situação
que não sabemos resolver, não sabemos lidar, porque nos sentimos
inseguros, desprevenidos ou incapazes. Assim, diante do destino que se
apresenta, o interpretamos como a hora do azar.
Na
verdade o Karma não é o sofrimento. É a situação que não nos
sentimos aptos a encarar. Será por despreparo ou irresponsabilidade?
Sim, pois o contexto é que toda a situação difícil de nossa vida
exige de nós paciência, prudência e perseverança, ou seja, uma
postura de responsabilidade. Toda situação dita “karma” exige o
uso de nosso arbítrio, nossa capacidade de fazer escolhas sábias
diante do nosso destino.
Saturno
na astrologia é considerado o Senhor do Karma. Representado como um
velho sobre um véu com uma foice, lembra o Eremita, a carta 9 do Tarô.
Simboliza
o tempo de plantar e colher, o tempo que devora as suas criações.
Onde
está Saturno no mapa existe tempo e experiência, por isso o
dever de darmos continuidade a
uma tarefa já iniciada no nosso processo evolutivo.
A
culpa surge pela frustração em não conseguirmos cumprir nossos
compromissos. E quanto mais se adia o dever por impotência ou auto-exigência,
mais culpa se sente e mais se emaranha na teia do karma, onde os deveres
se transformam em dívidas.
Saturno
mostra onde a evolução só se dará pelo trabalho, luta, esforço e
disciplina, ou muitas vezes pelo dor. A dor precisa ser desmistificada,
pois o sofrimento gera consciência. Pela dor nos conscientizamos dos
aspectos em nós que precisam de atenção e desenvolvimento. E a própria
dor na sua releitura, é a dificuldade de aceitar as provações,
os limites impostos pelo destino. Afinal, sofrer é saber
suportar.
Vale
lembrar que Saturno na sua constituição física é um planeta coberto
de gelo, os anéis são de gelo cristalizado e de baixíssima densidade,
logo se fosse colocado na água, boiaria!
Conclusão:
quando assumimos nossas escolhas e responsabilidades, os problemas que
parecem tão pesados, se tornam leves. Porque simplesmente os aceitamos
independente do tempo que nos exige para resolvê-los
Saturno
na mitologia greco-romana foi o segundo a “reinar no universo”. Como
castrou seu pai e o destronou, foi destronado por um filho. E assim foi
inaugurado o karma, pois “aqui se planta, aqui se colhe”.
Com
o intuito de controlar essa sina, ele engolia os seus filhos. Nossos
filhos são nossas obras, criações, pedaços de vida que saem de nós.
Por isso a idéia de que a área onde está o planeta saturno no nosso
mapa é onde há um velho tirano promovendo restrições e dificuldades,
porque ali engolimos nossos filhos, nos castramos e nos cobramos uma
perfeição. E nunca estamos prontos.
Depois
que Saturno foi destronado por Júpiter, ele perdeu sua imortalidade e
vagou pelo mundo ensinando seu conhecimento. Foi a idade do
outro, quando todos os homens eram reconhecidos nas suas
individualidades e por seus próprios valores. É por isso que também
onde temos saturno há um velho sábio, capaz de construir naquela área
grande prosperidade. É o máximo da realização na matéria, é a
teoria na prática, a evolução espiritual, a conquista da dignidade
humana.
Saturno
rege o signo de capricórnio, o mês da entrada do ano novo. A mensagem
dos céus é portanto, comecemos o ano com responsabilidade. Não é
hora de sonhar, o momento requer
“manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”.
Os castelos no ar precisam de cimento se desejamos realizá-los. É isso
que confere saturno: a realidade é concreta. Para chegarmos ao alto da
montanha os passos têm que ser cautelosos e firmes. É preciso saber
onde se pisa para não atrasar a empreitada. Isso é responsabilidade!
Isso é sabedoria!
E
essa é a lição do senhor do karma: posso escolher entre viver como um
velho tirano, engolindo meus filhos, minha auto-confiança, me cobrando,
me exigindo e tornando as experiências difíceis e dolorosas, ou viver
como um velho sábio, que sabe ter paciência e perseverança aceitando
e assumindo responsavelmente os desafios.
A
escolha é nossa. E... isso é o “karma”!
Maria
Ramagem
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