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O KARMA E O DHARMA
por Maria Ramagem
Fim de século XX, caminhamos para a síntese ocidente/oriente. Mesclam-se tendências, filosofias e práxis. O homem busca soluções fora e dentro de si. É a investigação do Ego, elaboração do livre-arbítrio para o aperfeiçoamento da natureza humana. Hoje, fala-se de karma às vezes como uma gíria de coisa ruim, às vezes com o desdém católico de absurdo e outra vezes com o peso determinista do kardecismo.

Enquanto isso o homem investiga cada vez mais o universo. Os físicos tentam solucionar os paradoxos quânticos da vida. Mergulhamos no acaso da mudança de paradigma, mas por hora, ainda precisamos vivenciar essa mudança na própria vida. Por isso as palavras ainda não estão prontas para explicar o novo homem, que nasce sempre do resgate do antigo, porque é fruto do revigorar dos arquétipos coletivos. E dentre esses arquétipos supremos está a visão evolutiva da espécie humana, não como Darwin explicou, mas como as civilizações antigas já percebiam, que estamos num processo cíclico de entradas e saídas da matéria, ou nesse reciclar de estados vibracionais da nossa energia sutil, nos revezando da densidade material, que chamamos estar vivos, portanto encarnados, à morte, estar desencarnados, fora da matéria, onde apresentamos outra vibração energética, e todo esse processo para que seja possível o amadurecimento da Alma humana ou a Evolução Espiritual.

Infelizmente essa visão reencarnacionista, legado das filosofias orientais, ainda é motivo de muita chacota e discussões, pois está profundamente enraizado no pensamento ocidental o conceito católico de vida eterna. E mal se tem idéia de quando e sob quais circunstâncias extinguiu-se no ocidente o conceito de reencarnação. O triste episódio se deu no ano 553, no 2: Concílio de Constantinopla, quando o Imperador Justiniano, completamente seduzido por sua esposa , a Imperatriz e atriz Teodora, que não apreciava muito o conceito de reencarnações sucessivas, repudiando a idéia de depois de morta não poder ser eternamente Imperatriz, ele, mandou que fossem condenadas todas as teses reencarnacionistas e considerados hereges todos que não obedecessem às novas leis da Igreja. E foi assim que este Concílio inaugurou uma mentalidade reacionária e cruel, e que durante séculos com a Inquisição, mais do que condenar e matar os chamados cristãos hereges, ela obscureceu e negligenciou o verdadeiro espírito do Cristo. Apesar de todos os contratempos históricos, a Verdade sempre prevalece e renasce das cinzas. E, é justamente em meio às cinzas da nossa civilização pós-moderna, onde Deus já foi bastante questionado, que as noções de karma e dharma reaparecem no cenário do homem em busca da Verdade.

Karma e dharma são termos originados do sânscrito, língua clássica da Índia, berço de uma das mais antigas civilizações, e que até hoje, tendo a evolução espiritual como ponto de partida, acredita que a Alma precisa passar por muitas experiências para concluir seu aprendizado aqui na matéria. E, à medida que novos conhecimentos são conquistados, os valores e as necessidades humanas vão se modificando, acordando assim as aspirações superiores do espírito.

O karma (kar= agir, fazer ; ma= efeito, ação) tem como significado básico "Ação" ,mas traz em um único vocábulo a idéia de que ação e reação caminham juntas, o que mais tarde Newton traduziu como uma das leis básicas da física: "toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário". Dessa forma, o karma pode ser considerado como o destino, a colheita, consequência do que nós mesmos criamos e semeamos. Expressa portanto , o encadeamento das causas e efeitos, garantia da ordem do universo. O dharma, palavra que significa lei, dever, direito, justiça, designa a bagagem moral, intelectual e espiritual que o homem possui na vida presente, fruto do trabalho evolutivo de encarnações anteriores. É o resultado da aquisição individual em material pronto para se expandir. É o potencial para a vivência do karma. Sendo assim, como o passado sempre encontra o futuro, o karma também pode ser entendido como a consequência futura da utilização do dharma, evidenciando que o que se planta hoje, colhe-se amanhã. Por isso o dharma é a tarefa a ser executada nessa vida, e que foi legada à Alma por seu próprio arbítrio. É a retidão, conformidade à ordem cósmica, lei que rege nossa natureza essencial. Caracteriza então a possibilidade de evolução do homem no presente. Tanto revela o que foi aprendido e deve ser revisto, como o que inexiste nele, as qualidades ainda não assimiladas. É portanto a chave para a compreensão da missão do ser nessa vida.

É importante desmistificar a idéia de karma como "a pedra no sapato" que tenho de levar durante toda vida. Pois, assim como as mais belas flores trazem seus espinhos, o karma não é só o espinho, nossas provações, nossos fardos, nossos erros, nossas culpas e promotor dos nossos sofrimentos. O karma é o somatório das tendências da Alma, bagagem adquirida no trilhar da Evolução Espiritual durante as várias encarnações, portanto também são nossos maiores dons, potencialidades já trabalhadas, e que, estão prontas para serem doadas nessa vida, e por isso pode nos proporcionar grandes realizações.

O karma se torna negativo e difícil quando é um vício da Alma, um padrão cristalizado, um hábito, um caminho que a Alma não quer deixar de trilhar porque está apegada, seja por acomodação, ou pelo simples medo do novo. Mas como o karma é a própria formação do destino(do latim destinare= fixar previamente, determinar com antecipação), temos nosso destino nas mãos, não precisamos temer o novo, pois temos o livre-arbítrio para conquistá-lo.

Não podemos esquecer, que nesta Era de Peixes, com o acontecimento Crístico no mundo, a nossa principal lição, é o aprendizado do livre -arbítrio, o uso sábio da capacidade de fazermos nossas escolhas, para que possamos aperfeiçoar nosso Ser Crístico. O termo Cristo é de origem grega (Krestòs), e significa Herói Solar, designando o Iniciado que, assim como o sol, que no centro do sistema centraliza os planetas nas suas órbitas, ao seu redor, tem a capacidade de centralizar seus corpos físico, emocional e mental, encaminhando assim suas atitudes com equilíbrio, portanto é um sábio diante do seu destino.

Essa é a possibilidade que se abre por estarmos nessa roda do karma, encadeando causas e consequências que podem nos levar à mestria do Cristo. Por isso é preciso ser consciente do karma, nossa bagagem. Aceitar o dharma, nossa missão na vida, e se perdoar diante dos medos e das falhas, pois só assim a Alma se renova e floresce no seu processo de amadurecimento espiritual.

Mas como saber o karma e a missão dharmica dessa vida? Existe um grande instrumento que nos ajuda a compreender o karma e conhecer nosso dharma, é a Astrologia. Através do mapa astral, o mapa do corpo astral, portanto o mapa da Alma, podemos traduzir a partir de sua linguagem simbólica, o que a Alma traz como bagagem, tanto os padrões cristalizados que nos trazem sofrimentos, como os dons que temos a missão de desenvolver e doar nessa vida. Pois quando a Alma conhece a si mesma e se conscientiza de seu aprendizado e função, aí sim, a vida se abre como uma flor e transforma-se dentro de nós o nosso sentido de estar vivos.

Maria Ramagem

 

Maria Ramagem
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Professora e consultora de Astrologia
Kármica

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Rio de Janeiro
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