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Fim de século XX, caminhamos
para a síntese ocidente/oriente. Mesclam-se tendências, filosofias e
práxis. O homem busca soluções fora e dentro de si. É a investigação
do Ego, elaboração do livre-arbítrio para o aperfeiçoamento da
natureza humana. Hoje, fala-se de karma às vezes como uma gíria de
coisa ruim, às vezes com o desdém católico de absurdo e outra vezes
com o peso determinista do kardecismo.
Enquanto isso o homem investiga cada vez
mais o universo. Os físicos tentam solucionar os paradoxos quânticos
da vida. Mergulhamos no acaso da mudança de paradigma, mas por hora,
ainda precisamos vivenciar essa mudança na própria vida. Por isso as
palavras ainda não estão prontas para explicar o novo homem, que nasce
sempre do resgate do antigo, porque é fruto do revigorar dos arquétipos
coletivos. E dentre esses arquétipos supremos está a visão evolutiva
da espécie humana, não como Darwin explicou, mas como as civilizações
antigas já percebiam, que estamos num processo cíclico de entradas e
saídas da matéria, ou nesse reciclar de estados vibracionais da nossa
energia sutil, nos revezando da densidade material, que chamamos estar
vivos, portanto encarnados, à morte, estar desencarnados, fora da matéria,
onde apresentamos outra vibração energética, e todo esse processo
para que seja possível o amadurecimento da Alma humana ou a Evolução
Espiritual.
Infelizmente essa visão
reencarnacionista, legado das filosofias orientais, ainda é motivo de
muita chacota e discussões, pois está profundamente enraizado no
pensamento ocidental o conceito católico de vida eterna. E mal se tem
idéia de quando e sob quais circunstâncias extinguiu-se no ocidente o
conceito de reencarnação. O triste episódio se deu no ano 553, no 2:
Concílio de Constantinopla, quando o Imperador Justiniano,
completamente seduzido por sua esposa , a Imperatriz e atriz Teodora,
que não apreciava muito o conceito de reencarnações sucessivas,
repudiando a idéia de depois de morta não poder ser eternamente
Imperatriz, ele, mandou que fossem condenadas todas as teses
reencarnacionistas e considerados hereges todos que não obedecessem às
novas leis da Igreja. E foi assim que este Concílio inaugurou uma
mentalidade reacionária e cruel, e que durante séculos com a Inquisição,
mais do que condenar e matar os chamados cristãos hereges, ela
obscureceu e negligenciou o verdadeiro espírito do Cristo. Apesar de
todos os contratempos históricos, a Verdade sempre prevalece e renasce
das cinzas. E, é justamente em meio às cinzas da nossa civilização pós-moderna,
onde Deus já foi bastante questionado, que as noções de karma e
dharma reaparecem no cenário do homem em busca da Verdade.
Karma e dharma são termos originados do
sânscrito, língua clássica da Índia, berço de uma das mais antigas
civilizações, e que até hoje, tendo a evolução espiritual como
ponto de partida, acredita que a Alma precisa passar por muitas experiências
para concluir seu aprendizado aqui na matéria. E, à medida que novos
conhecimentos são conquistados, os valores e as necessidades humanas vão
se modificando, acordando assim as aspirações superiores do espírito.
O karma (kar= agir, fazer ; ma= efeito, ação)
tem como significado básico "Ação" ,mas traz em um único
vocábulo a idéia de que ação e reação caminham juntas, o que mais
tarde Newton traduziu como uma das leis básicas da física: "toda
ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário".
Dessa forma, o karma pode ser considerado como o destino, a colheita,
consequência do que nós mesmos criamos e semeamos. Expressa portanto ,
o encadeamento das causas e efeitos, garantia da ordem do universo. O
dharma, palavra que significa lei, dever, direito, justiça, designa a
bagagem moral, intelectual e espiritual que o homem possui na vida
presente, fruto do trabalho evolutivo de encarnações anteriores. É o
resultado da aquisição individual em material pronto para se expandir.
É o potencial para a vivência do karma. Sendo assim, como o passado
sempre encontra o futuro, o karma também pode ser entendido como a
consequência futura da utilização do dharma, evidenciando que o que
se planta hoje, colhe-se amanhã. Por isso o dharma é a tarefa a ser
executada nessa vida, e que foi legada à Alma por seu próprio arbítrio.
É a retidão, conformidade à ordem cósmica, lei que rege nossa
natureza essencial. Caracteriza então a possibilidade de evolução do
homem no presente. Tanto revela o que foi aprendido e deve ser revisto,
como o que inexiste nele, as qualidades ainda não assimiladas. É
portanto a chave para a compreensão da missão do ser nessa vida.
É importante desmistificar a idéia de
karma como "a pedra no sapato" que tenho de levar durante toda
vida. Pois, assim como as mais belas flores trazem seus espinhos, o
karma não é só o espinho, nossas provações, nossos fardos, nossos
erros, nossas culpas e promotor dos nossos sofrimentos. O karma é o
somatório das tendências da Alma, bagagem adquirida no trilhar da
Evolução Espiritual durante as várias encarnações, portanto também
são nossos maiores dons, potencialidades já trabalhadas, e que, estão
prontas para serem doadas nessa vida, e por isso pode nos proporcionar
grandes realizações.
O karma se torna negativo e difícil
quando é um vício da Alma, um padrão cristalizado, um hábito, um
caminho que a Alma não quer deixar de trilhar porque está apegada,
seja por acomodação, ou pelo simples medo do novo. Mas como o karma é
a própria formação do destino(do latim destinare= fixar previamente,
determinar com antecipação), temos nosso destino nas mãos, não
precisamos temer o novo, pois temos o livre-arbítrio para conquistá-lo.
Não podemos esquecer, que nesta Era de
Peixes, com o acontecimento Crístico no mundo, a nossa principal lição,
é o aprendizado do livre -arbítrio, o uso sábio da capacidade de
fazermos nossas escolhas, para que possamos aperfeiçoar nosso Ser Crístico.
O termo Cristo é de origem grega (Krestòs), e significa Herói Solar,
designando o Iniciado que, assim como o sol, que no centro do sistema
centraliza os planetas nas suas órbitas, ao seu redor, tem a capacidade
de centralizar seus corpos físico, emocional e mental, encaminhando
assim suas atitudes com equilíbrio, portanto é um sábio diante do seu
destino.
Essa é a possibilidade que se abre por
estarmos nessa roda do karma, encadeando causas e consequências que
podem nos levar à mestria do Cristo. Por isso é preciso ser consciente
do karma, nossa bagagem. Aceitar o dharma, nossa missão na vida, e se
perdoar diante dos medos e das falhas, pois só assim a Alma se renova e
floresce no seu processo de amadurecimento espiritual.
Mas como saber o karma e a missão
dharmica dessa vida? Existe um grande instrumento que nos ajuda a
compreender o karma e conhecer nosso dharma, é a Astrologia. Através
do mapa astral, o mapa do corpo astral, portanto o mapa da Alma, podemos
traduzir a partir de sua linguagem simbólica, o que a Alma traz como
bagagem, tanto os padrões cristalizados que nos trazem sofrimentos,
como os dons que temos a missão de desenvolver e doar nessa vida. Pois
quando a Alma conhece a si mesma e se conscientiza de seu aprendizado e
função, aí sim, a vida se abre como uma flor e transforma-se dentro
de nós o nosso sentido de estar vivos.
Maria
Ramagem
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