|
.
De
tempos em tempos, o homem precisa se revisitar para se adequar a sua própria
evolução. Uma releitura da realidade torna-se necessária diante das
descobertas que se apresentam e suas inevitáveis mudanças. Foi assim,
por exemplo, com a afirmação de Copérnico de que a terra não ocupava
o centro do universo, bem como a teoria de Hublle de que a via-láctea
era apenas uma dentre bilhões de galáxias num universo em expansão.
Em especial, o século passado, abriu novas perspectivas
para a humanidade, transformando radicalmente os alicerces dos modelos
inteligíveis do universo. Os quatro conceitos básicos que explicam
nossas experiências no mundo foram abalados. Espaço, tempo, matéria e causa-e-efeito, não
respondem mais às questões fundamentais do espírito humano: onde?
quando? o quê? por quê? Afinal, é necessário mudar e ampliar a percepção para entender que os átomos do nosso
corpo se comportam totalmente diferentes do próprio corpo, pois a
intensidade da realidade é imensamente múltipla e o que se vê é
apenas um estado aparente dessa realidade. Com a teoria da relatividade
de Einstein e a física quântica, essas perguntas perderam a
objetividade.
Os fenômenos eram, até então, descritos num palco
determinista, a mecânica clássica de Newton, onde o espaço e o tempo
eram absolutos e imutáveis, dimensões separadas, fluindo do passado
para o futuro, como um grande cenário. A matéria era a personagem que
se movia nesse espaço-tempo,
formada por partículas dotadas de massas sólidas e indestrutíveis e
conservando-se essencialmente passivas. Todos os eventos desse enredo
mecanicista eram reduzidos ao movimento de corpos materiais no espaço,
causado por atração mútua, ou seja, pela força da gravidade. O
universo era então, uma máquina governada por leis imutáveis, onde não
havia nenhuma relação entre o mundo e o homem.
Na teoria da relatividade, em contra-posição, o espaço não
é isolado do tempo, estão intimamente vinculados e igualmente afetados
pela presença da matéria que flui diferencialmente em partes diversas
do universo, ou seja, toda a estrutura espaço-tempo depende da
distribuição da matéria, assim o conceito de espaço vazio perde também
o seu significado diante da descontinuidade da matéria, e tanto o espaço
quanto o tempo tornam-se meros elementos de linguagem para um observador
descrever os fenômenos observados. E, o mais importante dessa teoria,
é a compreensão de que a massa nada mais é do que uma forma de
energia: E = mc2.
A partir de então tentou-se aperfeiçoar a teoria da matéria,
afina, como os átomos se combinam para formar os elementos? Para
aprofundar este conhecimento era preciso ver como relacionavam-se entre
si. Desvendou-se assim a natureza íntima do átomo, sua estrutura
nuclear de prótons e nêutrons, cercada de elétrons, movendo-se
rapidamente ao redor do núcleo, cuja a quantidade determina a qualidade
química da matéria. Ficou assim esclarecida a força eletromagnética
como a responsável pela manutenção dos elétrons ao redor do núcleo
atômico, o que permite a estabilidade dos átomos. Este fato marcou
profundamente a concepção clássica mecanicista, onde as forças se
encontravam rigidamente vinculadas aos corpos sobre os quais agiam. A
luz visível não passa portanto, de um campo magnético de alternância
rápida e, que percorre o espaço em forma de ondas e, é apenas uma fração
do espectro eletromagnético.
Mas os paradoxos começaram logo a aparecer. As unidades
subatômicas da matéria são entidades extremamente abstratas e dotadas
de um aspecto dual, dependendo da forma como as observe, aparecem às
vezes como partícula e outras vezes como onda. Em resumo,
no nível subatômico, o microcosmo, não se pode dizer que
a matéria exista com certeza em lugares definidos, mas que apresentam
tendências a existir, e, que os fenômenos não ocorrem com certeza,
mas apresentam tendências a ocorrer. Essas tendências são expressas
como probabilidades, e são associadas a quantidades matemáticas que
tomam a forma de ondas, ondas de probabilidade, ou seja,
probabilidade de interconexões. A teoria quântica nos revela
então, “que à medida que penetramos na matéria, a natureza não nos
mostra blocos de construção isolados, mas sim uma complicada teia de
relações entre as diversas partes do todo”(Fritjof Capra).
Idéias
e mais idéias começaram a salpicar como pequenos big bangs, que alíás,
foi mais uma dessas
idéias, uma teoria sobre a origem do universo,uma grande explosão que
lançara toda matéria existente no espaço e, que, partir de então,
estaria se esfriando e se expandindo. Essa teoria está hoje sendo muito
questionada.
Algumas dessas idéias valem ser ressaltadas, como o teorema
de Bell, aferido mais tarde por Alain Aspect, que mostra que ao mudar o
movimento de rotação interna de uma partícula, pertencente a um
sistema de duas partículas idênticas, sua irmã gêmea seria afetada,
estivesse onde estivesse. Aparentemente esta teoria confronta a afirmação
de Einstein, de que nenhuma comunicação pode viajar mais rápido do
que a luz, mas, na verdade David Bohn, grande nome da física quântica,
foi mais sensível quando elucidou que este evento expressa a natureza
holográfica do universo, em que o todo está em cada parte. É bom
lembrar que num holograma (holos-todo/grama-mensagem), além da
tridimensionalidade da imagem, ocorre um fenômeno de grande importância.
Mesmo que seja dividida em várias partes, cada parte do holograma
apresentará a imagem inteira, ou seja, cada parte de um holograma
conterá a informação possuída pelo
todo. Para Bohn, não é que as partículas que estavam distantes
fizessem contato entre si, mas porque a separação é uma ilusão, pois
é como se elas fossem extensões da mesma coisa fundamental, ou seja a
separação é apenas uma parte da realidade delas.
É realmente complexa e fascinante essa teoria de que a
ordem do universo é holográfica, onde tudo interpenetra tudo, as
partes não são partes separadas, mas sim facetas, projeções de uma
unidade mais profunda e indivisível. Assim tudo no universo está
interligado. Passado, presente e futuro existem simultaneamente. Cada
coração, está ligado a cada coração que está ligado a cada estrela
no céu ...que está ligada...que está ligada....e ligada
ao grande holograma,que é a matriz geradora das formas no
universo. E mais, pesquisas sobre o cérebro mostraram que a memória não
estava em nenhuma parte específica da estrutura
cerebral, como uma impressão localizada, mas se distribui
igualmente por todo o cérebro, pois a destruição de uma parte do cérebro
não destrói as memórias ali presentes. Assim, também nosso cérebro
funciona como um holograma, coletando e interpretando informações
provenientes de um universo holográfico. Pois se a luz porta informações
e o holograma é a luz “congelada”, então o holograma é um grande
arquivo de informações sobrepostas.
A observação do micro, aplicada ao macro-cosmo ainda
resultou em teorias mais ousadas como os universos paralelos, as incontáveis
cópias de si mesmo, os buracos negros, rasgos na estrutura do espaço-tempo,
que funcionam como túneis ligando os mundos paralelos, e também as
supercordas, que amarrariam todas essas dimensões.
Parece-nos bizarro ou até mesmo esquizofrênico este
universo multidimensional que a ciência deflagrou, levando a humanidade
a uma saudável crise de identidade. Mas agora não podemos voltar no
tempo, embora holograficamente possível, não podemos mais ignorar a
rebeldia da natureza com o acaso previsto dos movimentos energéticos. Não
podemos mais negar a anarquia absoluta que desintegra a previsibilidade
mecânica. Não podemos negar a incerteza das previsões, nem a
probabilidade das mutações. E se pudéssemos perguntar a Deus o que
fazia antes da criação, mais do que jogar dados, Deus brincava de iô-iô,
espirais como passa- tempo, quando certamente num improviso teve a
brilhante idéia de criar uma obra com a sua personalidade impressa : um
universo holográfico, dinâmico
e cheio de possibilidades!
E são essas múltiplas possibilidades que nos forçam a
abrir a mente e considerar novos valores, uma nova linguagem. Estamos
mergulhados nesta mudança de paradigma, mas ainda precisamos vivenciar
essa mudança na própria vida. Por isso as palavras ainda não estão
prontas para explicar o novo homem, que nasce
sempre do resgate do antigo, do revigorar dos arquétipos
coletivos. E dentre esses arquétipos supremos está a visão evolutiva
do homem no seu processo cíclico de entradas e saídas da matéria,
reciclar de estados vibracionais pela roda das vidas: a reencarnação.
Parece uma antítese colocar um tema tão milenar ao lado de
teorias tão recentes.
Mas sabemos, que paralelos já foram delineados entre a física
moderna e o misticismo oriental. Então, mais do que continuar a tecê-los,
a Astrologia Kármica tem como objetivo aplicar essas visões
multifocais neste tema que pode parecer tão determinista: o karma.
Afinal, se o karma é o encadeamento de causas e efeitos, e se no mundo holográfico a estrutura é interdependente e
relativista, a vida se abre como um eixo de possibilidades de vivenciar
o karma, onde, como num holograma, podemos gravar muitas informações
sobrepostas pela simples mudança dos ângulos de incisão da luz. O
mapa astral mostra a
consciência em ação, uma observação trans-temporal da viagem
do homem no seu processo de evolução. É como
um processo, movimento, é portanto uma
bússola, mostra-nos a direção que somos capazes de assumir na nossa
trajetória evolutiva.
Evolução e Karma, até onde somos capazes de fazer o nosso
destino?
Até onde seremos capazes de exercitar em nós uma experiência
quântica e holográfica?
Até onde conseguiremos ampliar nosso universo para
conseguirmos enxergar
com visão de raio x? Até onde nos permitiremos crescer como árvores
do Cosmos, seres mutantes, seres em evolução?
Do Oriente ao Ocidente, o homem percebe, que os mistérios
mais, mais do que nossa vã filosofia escreve em nossas palmas das
mãos, eles são capazes de serem decifrados. Cabe ao olhar, seus
ângulos, e suas razões dar o tom da sinfonia, a música das esferas
que nossos corações decifram no
rumo da vida.
Maria
Ramagem
|