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Eu nunca me interessei muito por astrologia e não acredito muito em
horóscopo. Mas devido a um problema familiar eu passei a me interessar
sobre o assunto e gostaria muito de saber mais sobre Horóscopo (como,
quando surgiu e em quê é baseado)
Pergunta feita pela
leitora Ellen Cristina Borges Londe Mello
Por incrível que lhe possa parecer, acredite, Ellen: sua mensagem é o
dilema de muitos que acabaram se tornando astrólogos profissionais. Tanto
eu, quanto vários colegas, alguns que se tornaram amigos, sempre
rejeitamos qualquer coisa relacionada à Astrologia justamente por ver a
incoerência de algumas publicações e afirmações de figuras da mídia
que se diziam especialistas. Posso resumir minha própria história usando
sua mensagem. Teimoso, chegava a me irritar quando alguns amigos
comentavam sobre horóscopos, signos e coisa e tal. Achava tudo aquilo uma
verdadeira bobagem, pois não via a conexão entre o dia de nascimento,
descrições de personalidade e previsões. Um amigo, conhecendo um pouco
de minha natureza, resolveu propor a leitura de alguns livros e pediu que
eu desse um parecer a respeito. Decidido a provar que aquilo tudo era uma
balela, devorei os livros. O resultado foi inverso. Enquanto lia, fui
encontrando todas as conexões que as publicações e os ditos populares não
mostram. Ao longo das leituras, à essa altura equivalentes a 5 livros (e
era para ler só um!), ia observando a vida cotidiana e o histórico de
minha família, de amigos, de colegas de trabalho, etc. Fui obrigado a dar
a cara a tapa. Não estou dizendo que não deixei de me questionar a
respeito, pois continuo fazendo isso até hoje. Aliás, acredito que é o
que deve ser feito por qualquer astrólogo responsável: ser criterioso.
Você fala sobre sua descrença em horóscopos. Talvez ela seja muito saudável,
especialmente se você se depara com pequenas descrições de 2 ou 3
linhas numa coluninha lá no cantinho do jornal. Em segundo lugar, é
importante reiterar o que vem sendo dito aqui na página Astrológica
pelas nossas astrólogas responsáveis: horóscopos não são direcionados
a uma única pessoa. A interpretação é genérica. Apesar de chegar a
algum grau de acerto, pois quando feito com critério e conhecimento genuíno
algumas indicações realmente valem a pena, seria impossível a leitura
horoscópica ser válida para todas as pessoas. Os horóscopos de jornais
e revistas usam o Sol como indicador simbólico principal. Daí vem a lógica:
se um mapa astrológico individual é composto basicamente por planetas,
luminares (Sol e Lua), aspectos (ângulos entre planetas), casas astrológicas
e signos, é impossível dar pareceres completos quando só se considera
um único fator dentre tantos. Isso, sem contar o fato de alguns astrólogos
preferirem usar estrelas fixas, pontos médios, partes arábicas, asteróides,
etc.
Para se ter uma idéia da necessidade de critério ao ler este tipo de
trabalho, veja só: conheci três senhores, um deles um respeitável
editor, que disseram ter escrito horóscopos para jornais usando uma técnica
pra lá de absurda. Nenhum deles teve a oportunidade de se conhecerem
mutuamente, mas o impressionante é que a maneira como procediam era
absolutamente idêntica. Eles escreviam 12 “baboseiras”, como eles
mesmos diziam, e sorteavam com papeizinhos. O primeiro que saía era o Áries,
o segundo o Touro e assim por diante.
Em se tratando da parte final da pergunta, ficou meio no ar se você quer
saber sobre como foram originados os atuais horóscopos ou como, quando e
em que se baseia a Astrologia. Para evitar erros vou responder as duas
coisas, ok?
A Astrologia, segundo pesquisadores e historiadores, surgiu na Mesopotâmia,
há mais de 6 mil anos (4 mil a.C., na Suméria). Na biblioteca de
Assurbanípal, em Nínive, Babilônia, foram encontradas pequenas tábuas
com símbolos astrológicos. O sistema usado pelos caldeus e assírios (e
até os acádios e sumérios, antes daqueles), já era extremamente
desenvolvido, o que sugere uma origem ainda mais remota. No antigo Egito a
Astrologia também já era muito desenvolvida pelos sacerdotes, mais ou
menos perto dessa época. Os glifos (símbolos) astrológicos dos planetas
têm origem hindu. Os mesmo glifos eram usados pelos egípcios e pelos
mesopotâmicos, o que leva a crer que realmente a origem é bem mais
antiga que 3 mil a.C. Aliás, os glifos planetários, que eram hindus,
originaram o que conhecemos hoje como numerais arábicos: Saturno = 3; Júpiter
= 4; Marte = 5; Sol = 6; Vênus = 7; Mercúrio = 8; Lua = 9. O zero, o 1 e
o 2 foram adaptações do símbolo de totalidade (zero), do símbolo da
unidade fálica (1) e da dualidade-fêmea, com suas formas curvas sobre
uma base (2). O 2 também é o número 4 (Júpiter) sem a cruz lateral, o
que indica sua metade. Visualizando o glifo de Júpiter dá para entender
o que estou dizendo.
Os gregos antigos também contribuíram enormemente para o pensamento
astrológico. Vários filósofos da Grécia foram também astrólogos.
Aristóteles, por exemplo. Estima-se que o homem mesolítico, desde 15 mil
a.C. já observava o Sol e a Lua.
A origem da palavra “horóscopo” não é, como normalmente se pensa,
falar sobre o signo solar em poucas linhas. Horóscopo é o mapa astrológico
montado com um horário, daí o nome, que vem de “hora”. Os gregos
antigos foram os responsáveis pela denominação, entre outras, como zodíaco,
por exemplo. Calcular o signo Ascendente e montar todo o mapa baseando-se
naquele horário é a verdadeira acepção da palavra horóscopo. Na
antiguidade, quando os astrólogos montavam exclusivamente o horóscopo
dos reis e governantes, na verdade eles estavam calculando o mapa completo
baseados na hora em que aquelas pessoas nasceram. Raramente, inclusive, a
maioria do povo dispunha de seu dia de nascimento, quanto mais sua hora. O
primeiro horóscopo data do ano 70 a.C. Foram os gregos também que
passaram a fazer a comercialização da Astrologia, antes usada somente
para reis e países. Na mesma época, juntamente com grandes astrólogos,
devem ter surgido os primeiros charlatães. O que conhecemos hoje como os
horóscopos de revistas e jornais, com as descrições genéricas a que
estamos acostumados, é decorrente de um processo histórico. Em 1666, o
ministro francês Colbert, que parecia detestar Astrologia, fundou a
Academia de Ciência e proibiu que a Astrologia fosse praticada. Em vista
disso, astrônomos e pesquisadores abandonaram-na e surgiram vários
charlatães, que se aproveitavam dos supersticiosos. A família Raphael
(nome de um dos sistemas de casas astrológicas), na Inglaterra continuou,
um século depois, a publicar livros sobre o assunto. Vários foram os
processos contra a Astrologia na História, até chegar ao ponto dela ser
considerada “entretenimento”, para evitar a perseguição. O
surgimento das colunas de horóscopo parte do uso do conceito de
entretenimento.
A Astrologia surgiu de uma necessidade de integração do Homem com a
natureza. Era preciso conhecer os ritmos e pulsações do universo não só
para satisfazer as necessidades materiais (plantio, defesa, casamento,
etc), mas para levar o Homem a um encontro mais profundo com seu âmago,
com seu Deus interior, a divindade inerente a cada pessoa. Partindo-se dos
7 princípios herméticos (de Hermes Trismegistus), especialmente o
segundo: “O que está em cima é como o que está embaixo e o que está
embaixo é como o que está em cima”, temos o que hoje é conhecido
pelos físicos como “Princípio do Universo Holográfico”. Cada parte
representa o todo e o todo está na parte, do mesmo modo que acontece numa
holografia. Apesar de existirem diversas teorias causais para explicar o
funcionamento da Astrologia, a mais lógica e comprovável de todas é a
teoria acausal, ou seja, astros não influenciam coisa alguma. Eles são
funções análogas, como todas as outras coisas do universo. Se a função
Júpiter é crescimento, expansão, sabedoria e percepção global, nada
mais lógico que associá-la a viagens, ensino superior e coisas afins.
Como fica muito mais fácil definir associações e descobrir épocas para
que tendências surjam usando os ciclos planetários, nada mais simples
que fazer da observação da analogia entre os astros e mundo perceptível
uma ferramenta muito eficaz. Ela pode ser aplicada em todos os assuntos
que pudermos imaginar, pois se o universo é infinito, as correspondências
também o são.
Astrólogos não são adivinhos. O trabalho de um astrólogo antes de tudo
é um trabalho de pesquisa e silogismo. Ele pode até mesmo ter algum dom
mediúnico, o que é bastante raro, mas mesmo assim sua ferramenta de
trabalho, o mapa, permite que ele escape de enganos provocados por
expectativas. O astrólogo formula alguns pareceres de acordo com uma
estatística gerada pela repetição de condições simbólicas em mapas
analisados e suas correlações em eventos, humanidade e circunstâncias.
Para finalizar, uma curiosidade: o modo como você escreveu é muito
semelhante ao modo como muitas pessoas com ênfase no signo de Gêmeos
costumam se expressar, especialmente quanto à Astrologia. Por ênfase num
signo me refiro à posição do Sol (conhecido como “meu signo”), da
Lua, do Ascendente ou vários planetas naquele signo. Ao longo dos anos
observo como chega a ser divertido ver como as perguntas de tais pessoas são
paradoxais e como elas mesmas contém em si algumas respostas ao que foi
questionado. Conscientes de seu ceticismo, tipos geminianos sentem
necessidade de expressá-lo verbalmente afirmando para astrólogos que não
acreditam no que eles fazem. Não são todos os geminianos, claro, mas um
número superior a 80%. Uma das abordagens mais comuns se dá mais ou
menos assim: “Ei, você é astrólogo? Que legal! É, eu não acredito
em Astrologia não, mas… me diga uma coisa: qual signo combina com o
meu?”.
Existe, no entanto, um lado inconsciente que acredita em tudo, que é até
dogmático. Esse outro lado de Gêmeos é representado pelo signo oposto:
Sagitário, representante da sabedoria, das percepções intuitivas e nem
sempre verbalizáveis e das certezas (às vezes certezas sem lógica).
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Carlos
Hollanda
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