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Afirma-se que o planeta regente de 2001 será Marte. Qual o critério utilizado para tal definição? Pergunta enviada por Luciano Hausen Castagnino:


Excelente questionamento, Luciano, mas ele demanda um certo aprofundamento na resposta. Dada a natureza metafórica e, por que não dizer, metafísica, do assunto, é provável que algumas pessoas sintam certa dificuldade para entender totalmente. Vou responder por partes, para que os leitores possam formar na mente o conjunto que explica esse critério. Tudo o que estiver escrito nas linhas a seguir terá uma conexão, portanto é interessante fazer uma leitura calma até que o encadeamento de idéias ocorra no final. Tenho certeza de que haverá entendimento se todos assim procederem.

O sistema obedece a um padrão cíclico da natureza: a divisão setenária e suas correspondências. Sua origem, segundo a maioria dos dados históricos, é a tradição dos sábios da Mesopotâmia. Alguns chegam a situar a origem dessa atribuição em épocas ainda anteriores, onde não há registros históricos oficiais, mas sim um apanhado de tradições transmitidas oralmente até os dias de hoje. Em organizações iniciáticas elas se mantém quase intactas. Estudiosos como Papus (Gérard Encausse) fazem um estudo sobre a transição de localidades e de povos para esta tradição, vindo, segundo ele, dos atlantes, seguindo para o Egito, para a Índia e para a Mesopotâmia, de onde vem a maior parte do que se conhece a respeito.

Existe um livro, um tratado cabalístico, chamado “Sepher Yetzirah”, cujo título em português seria “Livro da Formação” (a palavra “Yetzirah” em hebraico bíblico não quer dizer “Criação”, como querem alguns, mas sim “Formação”).  Não se sabe ao certo de quem é a autoria, mas atribui-se ao patriarca hebreu Abraão, que nascera em Ur, capital da Caldéia, um dos países da Mesopotâmia. Muito bem, ao longo de mais de 5 mil anos tais conhecimentos foram dando corpo às tradições astrológicas e da Cabalá (ou Qabalah). O que tem a ver o Sepher Yetzirah com tudo isso? É desse livro e dessa tradição que os almanaques modernos de Astrologia retiraram o conceito da divisão setenária dos dias, das horas e dos anos. Antes do descobrimento de Urano (séc. XVIII), de Netuno (séc. XIX) e de Plutão (séc. XX), os sete planetas clássicos (Sol e Lua são, de forma figurativa, considerados “planetas”) eram os únicos usados na Astrologia. Eles são parte da tradição milenar, cuja descrição, normalmente feita de forma poética, tem um conteúdo muito profundo, atingindo o âmago do ser humano, se este assim se dispuser a interpretá-la devidamente.

De acordo com o Pentateuco (os 5 livros atribuídos a Moisés na Bíblia), que faz parte dessa tradição, as estrelas e planetas foram criados no “quarto dia”. Contando de domingo, o quarto dia seria a quarta-feira. No entanto, na contagem bíblica, a noite sempre precede o dia. A O Gênesis diz: “Houve noite (ou tarde) e manhã”. Os planetas foram alocados em suas posições na noite que precede o quarto dia, que é, então, a noite de terça-feira. Eles, ainda segundo a tradição, foram posicionados no tempo de acordo com seu distanciamento em relação à Terra. Então, às 18 horas, a “primeira hora da noite” (veja o “Almanaque do Pensamento” para ter uma idéia), Saturno foi colocado em sua posição. Na segunda hora da noite, 19:00 h., Júpiter e assim por diante. A ordem de distanciamento em relação à Terra é a seguinte: Saturno (18 h.), Júpiter (19 h.), Marte (20 h.), Sol (21 h.), Vênus (22 h.), Mercúrio (23 h.) e Lua (meia-noite)  segundo a divisão metafórica da tradição. Esta é a ordem encontrada a partir da “noite do quarto-dia” (a noite de terça para quarta), na tabela de correspondências planetárias. Como sempre estamos verificando nesta visão holográfica da realidade, que é a Astrologia, há correspondência para tudo, inclusive para as divisões do tempo. Continuando: cada planeta predomina sobre a hora na qual foi “colocado”, durante o processo de criação, segundo a perspectiva simbólica. Após as primeiras sete horas, como vimos acima, inicia-se um novo ciclo. Se a Lua, o último “planeta” da ordem setenária mostrada na sequência, predomina de meia-noite à 1 h. da manhã, o ciclo seguinte começa com Saturno, que é o primeiro da sequência. A mesma ordem é seguida e repetida infinitamente. O ciclo de sete horas continua através da semana e confere as mesmas atribuições a cada dia por inteiro. No entanto, o predomínio genérico do planeta sobre cada dia da semana é determinado pela “primeira hora do dia”. Para não complicar tanto, entendamos que a primeira hora do dia, para a tradição, é a hora do nascer do Sol. Se contarmos sucessivamente cada hora a partir do início demonstrado no processo simbólico de criação, chegaremos a Mercúrio, como predominante das 6 às 7 horas da quarta-feira. A primeira hora de cada dia concede, portanto, o predomínio do planeta sobre todo aquele dia da semana. Os romanos nomearam os dias de acordo com este conceito. Assim sendo, quarta-feira - Mercúrio, quinta-feira - Júpiter, sexta-feira - Vênus, sábado - Saturno, domingo - Sol, segunda-feira - Lua e terça-feira - Marte. Em espanhol os nomes dos dias da semana derivam diretamente dos nomes latinos dos planetas. Domingo (primeiro, nascente), lunes, martes, miercoles, jueves, viernes, sabado, que vem de “shabbatai” ou Saturno, em hebraico. Sunday e Monday, em inglês correspondem a “dia do Sol” e “dia da Lua”, tendo origem direta dos mesmos conceitos. Alguns astrólogos (eu, por exemplo) utilizam-se desta escala de horas planetárias para auxiliar em estudos de Astrologia Eletiva e em Astrologia Horária juntamente com o estudo do mapa por completo.

A sequência anual obedece a este mesmo padrão, que pode ser visto na organização de um diagrama cabalístico conhecido como Árvore da Vida. Os planetas estão dispostos na Árvore também nessa sequência. Como vemos, tanto num esquema macro (ano), quanto num esquema micro (horas), as correspondências atuam. Para cada ano, todavia, o início da regência planetária se dá no equinócio de Áries (outono no hemisfério sul e primavera no hemisfério norte). O dia 21 de marco tradicionalmente é o ano novo em termos astrológicos. 2001, portanto, será regido por Marte apenas após este dia. Até lá, ainda estamos vivendo Júpiter.

Agora um último detalhe: o fato de estarmos passando por um ano regido por um ou por outro planeta não quer dizer que o ano será exatamente igual às características simbólicas daquele planeta. Dizer que o ano será regido por Marte, Saturno, Lua, etc, não quer dizer muita coisa individualmente, mas a nível mundial. O ano de Marte tanto pode ser marcado por acontecimentos coletivos grotescos como guerras quanto por grandes empreendimentos que levam a humanidade às alturas. A nível individual passar pelo ano de Marte só tem alguma ênfase se houver uma sintonia com aquilo que corresponde ao símbolo em nossa esfera mundana. Este ano será interessante, portanto, para todas as atividades em fase inicial. Isso corresponde ao símbolo de Marte: iniciar, começar, dar movimento. Não se deve tomar a regência do ano ao pé da letra. Se algo pode ser iniciado, mãos à obra, mas se não houver necessidade, o melhor é prosseguir com o que já estava em andamento.

Carlos Hollanda

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Carlos Hollanda astrólogo
Rio de Janeiro

Autor do livro "Progressão Lunar
e Kabbalah"

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